quinta-feira, 25 de julho de 2013

Torta de Mel e Abóbora


Olás, tudo bem?
Torta de abóbora e de batata doce são os sabores mais tradicionais do fim de outono nos Estados Unidos e Canadá, época do Halloween e do dia de Ação de Graças. Apesar de parecerem, à primeira vista, sabores estranhos para nós, tanto batata doce quanto abóbora estão muito presentes também em nossas festas de fim de outono, as festas juninas. Enriquecidas com especiarias e servidas em temperatura ambiente, elas combatem bem o frio desse período.
É por isso que, mesmo no meio das minhas férias e em fase de adaptação com a minha nova câmera, eu precisava publicar essa receita! Cremosa, adoçada com mel e temperada com cravo, gengibre, canela e noz moscada, uma fatia dessa torta conforta e aquece - tudo o que a gente precisa nesse frio de lascar, né?!
Para que sua torta de abóbora fique perfeita, vale a pena se atentar para alguns detalhes. Primeiro, das abóboras que já testei, a que funciona melhor é a de pescoço, aquela de fazer doce. E aconselho também a cozinhar a abóbora em pedaços no forno moderado, e não em água fervente - assim ela amolece sem encharcar de água, o que dá um purê muito mais rico em sabor. Por falar em purê, faço o meu no processador, mas você pode usar o liquidificador ou mesmo amassar bem amassadinho, com um garfo. Descobri que a mistura de leite com creme de leite leve [aquele com 17% de gordura] dá um substituto prático e fácil para o leite evaporado, e é o que uso nessa receita. Por fim, fique de olho no tempo de forno da torta: o ponto ideal é quando as laterais do recheio estão firmes, mas o centro ainda levemente mole - se a torta rachar, é sinal de que assou demais [mas não se preocupe, é mais um problema estético, não faz tanta diferença no sabor]. 
É isso, espero que gostem! Ah, e agasalhem-se! ;)



Torta de Mel e Abóbora

Ingredientes para a massa:
1 e 1/4 xícaras de farinha de trigo;
1/2 colher de chá de sal;
1/2 colher de chá de açúcar;
120g de manteiga sem sal gelada picada em cubinhos;
2 colheres de sopa de água gelada.

Para o recheio:
1 e 1/2 xícaras de purê de abóbora*;
1/2 de xícara de mel;
1 colher de chá de canela em pó;
1/2 colher de chá de gengibre em pó;
1/4 da colher de chá de cravo em pó;
1/4 da colher de chá de sal;
2 ovos levemente batidos;
3/4 de xícara de leite evaporado [1/4 de xícara de creme de leite leve + 1/2 xícara de leite integral];

Prepare a massa:
Em uma tigela grande misture a farinha, o sal, e o açúcar. Adicione os cubos de manteiga e amasse com as pontas dos dedos até formar uma farofa úmida. Junte a água, uma colherada por vez, amassando somente para formar uma bola de massa. Forme um disco com a bola de massa, envolva em filme plástico e leve à geladeira por pelo menos 20 minutos.
Sobre uma superfície limpa e enfarinhada, abra a massa, utilizando o rolo de macarrão, até conseguir um círculo de 28cm de diâmetro. Transfira para uma fôrma de tortas de 22cm de diâmetro, cobrindo o fundo e as laterais. Corte o excesso de massa e aperte as bordas com um garfo, ou decore como preferir. Reserve no freezer enquanto prepara o recheio.

Prepare o recheio:
Preaqueça o forno a 200 graus.
Em uma tigela grande, usando um fouet ou a batedeira, combine os ingredientes do recheio na ordem litada, batendo até conseguir um creme homogêneo.
Recheie a massa preparada com esse creme. Leve a torta ao forno por 10 minutos, então abaixe a temperatura para 170 graus e asse por mais 30 ou 35 minutos, até o recheio firmar nas laterais mas continuar meio mole no centro.
Deixe esfriar completamente antes de servir.

*Para o purê de abóbora, eu pico em pedaços uma boa fatia de abóbora de fazer doce, com casca e tudo, e levo ao forno a 180 graus por uns 50 minutos, até os pedações estarem bem macios. Então retiro as cascas e processo a massa cozida de abóbora. Por fim, deixo essa massa escorrer em uma peneira bem fininha, para eliminar o líquido restante.

29/07/2013 Atualização: Sinto muito e peço desculpas: confundi as bolas e postei uma receita aqui, mas diferente levemente da que preparei. Como ambas são receitas existentes, acredito que dariam bons resultados, mas atualizei para a que realmente segui. Mais uma vez, desculpe pela confusão! 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Madeleines



Olás, tudo bem?
Sabe quando você percebe que suas ressacas estão durando cada vez mais, e que você consegue beber cada vez menos? E que sair dois dias seguidos torna-se uma coisa impensável na sua vida? E, estranhamente, seus amigos agora te chamam para almoçar ou jantar, não mais pra tomar uma e botar o papo em dia? E quando você sai com eles, alguns levam seus filhos junto. Ou é você que vai à festinha da escola da filha de uma amiga e percebe que não dá para fumar lá dentro - e aparentemente ninguém mais fuma no mundo. Os assuntos, uma hora ou outra, acabam caindo sempre naquele 'lembra daquela vez?!', e algumas pessoas que você achava que te acompanhariam na vida passam a ser apenas  boas lembranças, enquanto outras [as vezes alguém totalmente inesperado] permanecem, firmes e fortes, ufa! 
Pois é, tudo isso são sinais da idade. E tem mais: daí seus amigos resolvem se casar, wow! E pela primeira vez toda a 'galera' estará reunida em uma festa de casamento, todos vestidos com roupa social [aquele papo de 'eu tenho meus estilo próprio' dançou] e dormindo em hotéis e não em colchonetes espalhados no meio da casa de alguém. Muita informação, né? Assusta? Ô se assusta! 
Mas no fim das contas, envelhecer tem lá seu lado bom, ainda mais se por perto estão pessoas passando pelo mesmo processo, junto com a gente, que se lembram dos mesmos bons momentos passados e que compartilham os planos dos futuros.
E essas Madeleines tem muito a ver com isso, desde que Marcel Proust registrou em 'Em Busca do Tempo Perdido' a sensação de retorno ao passado e o poder da memória gustativa desses pequenos bolinhos amanteigados e perfumados de limão. Claro que Madeleines não me traz lembranças da infância nem nada [a presença delas na minha vida é bem recente], mas já tenho duas boas memórias ligadas a elas: meus amigos que se casaram trouxeram um saco de Madeleines francesas da lua de mel, e ainda me emprestaram essa fôrma linda pra testar as versões caseiras. 
Espero que gostem!


Madeleines
[receita retirada do livro Ladurée Doces, rende 24 bolinhos]

Ingredientes:
 Raspas de 2 limões sicilianos;
3/4 de xícara mais 2 colheres de sopa [160g] de açúcar refinado;
4 ovos;
1 e 1/2 xícaras [175g] de farinha de trigo;
1 colher de sopa [10g] de fermento em pó;
180g de manteiga sem sal;
1 e 3/4 colheres de sopa [35g] de mel silvestre.

Açúcar impalpável para polvilhar [opcional].

Preparo:
A massa deve ser preparada na véspera.
Em uma tigela grande, misture as raspas do limão siciliano com o açúcar, apertando com as pontas dos dedos para liberar o sabor. Reserve.
En outro recipiente, peneire juntos a farinha e o fermento. Reserve.
Derreta a manteiga em fogo brando em uma panelinha pequena. Reserve.
Na tigela grande, bata [na batedeira ou usando um batedor de arame] o açúcar com as raspas, os ovos e o mel, até a mistura ficar com consistência de mousse. Acrescente a mistura de farinha, e incorpore bem. Por fim, junte a manteiga derretida e misture. Reserve a massa por no mínimo 12 horas na geladeira, dentro de um recipiente tampado.

No outro dia, unte a fôrma de conchas para Madeleines com manteiga amolecida, e leve à geladeira para a manteiga endurecer. Então polvilhe farinha de trigo, espalhando bem e bata para retirar o excesso.
Preaqueça o forno a 200 graus.
Preencha as conchas com massa até 3/4 da altura delas [eu utilizei um saco de confeiteiro com ponta redonda, para não fazer sujeira]. Leve ao forno por 8 a 10 minutos, até ficarem douradas e barrigudinhas.
Retire, deixe esfriar um pouco nas conchas e desenforme. Polvilhe o açúcar com uma peneira, se quiser.

Sirva as Madeleines mornas, ou deixe-as esfriar e guarde em um recipiente hermeticamente fechado.
Ah, o livro recomenda que mesmo fôrmas antiaderentes devem ser untadas e enfarinhadas.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Pound Cake de Cream Cheese


Olás, tudo bem?
Uma das comidas-símbolo da minha infância é bolo. Bolo simples, sem recheio ou cobertura ou sabor especial. É bolo do que? Bolo Mata-fome, como chama a minha avó. Ou Bolo de Nada, como diz a chef Heloísa Bacellar. Fato é que fosse na nossa casa ou em casa da vó ou da tia ou da tia-avó, sempre havia um bolinho branco, para no meio da tarde acompanhar a xícara de café dos adultos e o leite com Nescau das crianças. De buraco no meio ou de assadeira [a receita era a mesma, mudava só o formato], as vezes vinha acompanhado de um pote de geléia de goiaba [e a gente abria as fatias no meio e recheava com gosto, antes de comer], outras aromatizado com suco de laranja [que eu torcia o nariz, mas comia], as vezes polvilhado com açúcar e canela e as vezes sem nada mesmo, simprão. Mas estava sempre lá, cortado em quadrados, dentro de uma tupperware amarela, ou virado sobre um prato e guardado dentro do forno. 
O Pound Cake, apesar de mais elaborado e mais farto de ingredientes do que os bolos da minha infância, segue o mesmo princípio: bolo básico, que pode ser servido com quase tudo [geléias, manteiga, frutas, creme batido, sorvete, caldas] mas que vai muito bem também com nada, purinho mesmo. 
O nome Pound Cake aparentemente vem da proporção de ingredientes na receita original: 1 pound [ou libra, que é igual a 453.59 gramas] de cada [manteiga, açúcar, ovos e farinha, que é daquela com fermento]. Nessa versão [que não segue muito bem a proporção original, mas enfim], a manteiga é completada com cream cheese e o bolo ganha aromas de baunilha [use a fava ou o extrato] e raspas de casca de limão cravo, que é aquele vermelho, perfumado. Simples, mas nada simplório, né?
Espero que gostem!

Ah, essa receita dá um bolo grande, de 30cm de diâmetro com furo no meio. Mas nada impede que você faça meia receita, usando uma fôrma de bolo inglês pequena, ou faça a receita toda mesmo e congele as sobras. Se sobrarem, claro. 



Pound Cake de Cream Cheese
[receita retirada daqui, rende um bolo grande de 30cm de diâmetro e furo no meio]

Ingredientes:
3 xícaras [390g] de farinha de trigo;
1 colher de chá de fermento em pó;
1/4 da colher de chá de bicarbonato de sódio;
1/2 colher de chá de sal;
340g de manteiga sem sal, em temperatura ambiente;
230g de cream cheese, em temperatura ambiente;
2 e 3/4 xícaras [550g] de açúcar refinado;
2 e 1/2 colheres de sopa de extrato de baunilha, ou as sementes de uma fava;
Raspas da casca de 2 limões cravo [ou capeta, ou galego, ou do normal mesmo, se você não encontrar desses limões vermelhos];
6 ovos, em temperatura ambiente.

Preparo:
Unte uma fôrma de 30cm de diâmetro e buraco no meio com manteiga e polvilhe farinha de trigo. Bata a fôrma para retirar o excesso de farinha e reserve.
Preaqueça o forno a 170 graus.
Em uma tigela grande, peneire juntos a farinha, o fermento, o bicarbonato e o sal. Reserve.
Na batedeira, usando o garfo tipo 'pá' ou 'leque' [ou na mão mesmo, com uma colher de pau] bata a manteiga e o cream cheese até ficar cremoso. Adicione o açúcar aos poucos, batendo bem e raspando as laterais da tigela. Continue batendo em velocidade médio-alta por 5 minutos, até conseguir um creme claro e bem fofo. Adicione a baunilha e as raspas de limão e bata para incorporar. 
Adicione os ovos, um a um, batendo após cada adição e raspando as laterais da tigela.
Adicione a mistura de farinha, 1/3 por vez, misturando com uma colher, para incorporar.
Passe a massa para a fôrma preparada e alise a superfície com as costas de uma colher.
Leve ao forno por pelo enos 55 minutos, ou até 1 hora e 10 minutos. O meu ficou pronto em 65 minutos - faça o teste enfiando um palito de madeira bem fundo no bolo - se ele sair limpinho, o bolo está pronto.
Retire o bolo do forno e deixe esfriar na fôrma por meia hora. Então desenforme e espere esfriar completamente, se você conseguir.