quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Doce casamento!


Olás, tudo bem?
Essa história começa em junho, quando eu - inseguro, perfeccionista e auto-crítico - num momento de inspiração divina [ou loucura total] aceitei o convite da Vivi, uma amiga da faculdade que eu não via faz tempo [e freguesa da época em que eu vendia tortinhas de limão, trufas e brownies na facul], de fazer com ela os doces e bolo para uma festa de casamento.
Depois de doces escolhidos e imagens de referência definidas, o tempo passou, a semana passada de repente chegou e com ela cheguei eu em São Paulo, munido de mala de roupas, bicos de confeitar e batedeira planetária.
Na casa da Vivi sabe aquela coisa de ficar meio sem graça ao rever alguém que a gente não vê faz tempo? Pois não teve nada disso! Incrivelmente, parecia que a gente não se encontrava fazia dois dias,  não uns dois anos. Começamos pelo trabalho de fada [ou de freiras cegas do Himalaia]: passando pétalas de mini-rosas comestíveis, uma por uma com pinça cirúrgica, na clara de ovo e depois no açúcar, para a decoração dos doces. Depois, de tanto praticar, conseguimos um ritmo quase fabril [ e febril também] no processo de abrir/ gelar/ cortar/ gelar/ assar/ esfriar/ guardar biscoitinhos amanteigados de amêndoas, e no segundo dia de trabalho o andar todo do apartamento cheirava a biscoitos quentinhos e a gente já tinhas todos os amanteigados enfileiradinhos nas caixas, prontos para rechear. Depois foram pequenos suspiros coloridos cientificamente segundo os padrões de pantone da decoração da festa [ou quase]. Quebrar um suspiro recém-assado e ver que ficou perfeito - sequinho, brilhante e sem sinais de dourado na superfície - é uma sensação incrível! [eu nunca tinha feito um suspiro decente na vida, mas liguei pra minha mãe pra pedir a receita dela].
Então passamos para a super-equipada cozinha da Kelly, e o ritmo começou a acelerar: a Vivi preparava as massas de bolo de casamento tao perfumadas [aromatizadas com raspas de laranja e limão] enquanto eu dava um fim às bordas de massa [comendo, claro] e preparava assadeiras de brownies baixinhos para serem cortados em forma de coração. Na noite anterior ao feriado ficamos presos no engarrafamento rumo a Campos do Jordão [local do casamento] atolados de caixas de doces até o pescoço [literalmente, com pilhas de caixas no colo que quase tampavam a visão], com um enjoo considerável de açúcar e com o bagageiro lotado de ingredientes.


Em Campos ficamos nem uma casa enorme com a família da noiva [sabe aquelas famílias que no segundo dia de convívio você já chama todo mundo de tio/ tia?]- expulsamos todo mundo da cozinha [ninguém entra sem touquinha!] e começou a saga dos mini-cheesecakes. Ou quase começou, já que três dos quatro quilos de cream cheese que compramos ficaram em São Paulo [mea culpa! Compramos mais]. Mea culpa também ter derrubado uma fôrma grande de cheesecake assim que saiu do forno! De repente tudo ficou difícil: brigadeiros que não pegavam o ponto, copinhos de chocolate que demoravam demais pra secar, ganache que não firmava. Foi quando decidimos que isso tudo nunca mais, que nosso negócio era mesmo arquitetura, que amávamos autoCAD! Calma, respira, canta Lua de Cristal [olha o desespero!] e tudo foi voltando para os eixos e ver a maioria dos doces prontos e embalados foi nos dando um pouco mais de sanidade. A noite chegou com uma tigela enorme de creme de baunilha para o recheio do bolo [e a panela que todo mundo raspou!] e mais alguns tabuleiros de suspiro.


E daí o grande dia chegou num turbilhão: um parque incrível como local do casamento [lindo, de sonho, mesmo!], a decoração impecável [ também homemade, feita por mais amigos arquitetos, pela noiva e pela mãe da noiva], a simpatia das pessoas com a gente [nem parecia que tinham acabado de nos conhecer!], o nosso desespero para montar a mesa de doces, terminar a montagem do bolo [o que quase parecia impossível, mas a Vivi fez mágica e de repente o bolo estava pronto e lindo!], preparar um panelão de calda de frutas vermelhas, ir tomar banho e voltar para o casamento. Uff, que correria!
Mas não é que no fim tudo deu certo?! E nossos medos, arrependimentos e inseguranças e juras de nunca-mais-fazer-isso deram lugar ao orgulho, alívio, surpresa e à alegria do dever [bem] cumprido! E eu, mesmo perfecicionista, auto-crítico e inseguro, me vi pensando em talvez fazer isso pelo o resto da vida!
E claro, o casamento foi inesquecível!

Vou deixar a receita dos amanteigados de amêndoas por aqui, e em posts futuros coloco as outras, afinal esse teto já está longo demais. Aproveito esse finzinho para agradecer a Vivi, a Rena e a Kelly pela simpatia, oportunidade e confiança que depositaram em mim, e desejar toda a felicidade do mundo aos noivos!



Amanteigados de Amêndoas
[rende aproximadamente 35 biscoitos de 4,5cm de diâmetro]

Ingredientes:
2 xícaras [260g] de farinha de trigo;
1/2 colher de chá [2g] de sal;
1 xícara [200g] de manteiga sem sal em temperatura ambiente;
1/2 xícara [100g] de açúcar refinado;
1/4 de xícara [50g] de açúcar de confeiteiro;
1 colher de chá [5g] de extrato de baunilha;
2 gemas;
1 xícara [150g] de farinha de amêndoas.

1 lata de doce de leite para rechear.
Castanhas de caju moídas, pistaches em lascas ou pétalas de mini-rosas açucaradas para decorar.

Preparo:
Em uma tigela misture a farinha de trigo com o sal e reserve.
Na batedeira com o garfo tipo 'leque' bata a manteiga com os açúcares até formar um creme fofo e claro. Adicione a baunilha e as gemas e bata para incorporar. Por fim adicione a farinha de amêndoas e a mistura de farinha de trigo e sal, e bata até conseguir uma massa homogênea. Divida a massa em duas partes.
Abra uma folha de papel manteiga de 35x45cm sobre uma superfície de trabalho e coloque a massa sobre ela. Cubra com outra folha de papel manteiga do mesmo tamanho e usando um rolo, abra a massa entre as folhas até conseguir uma espessura de 0,5cm. Faça isso com as duas partes da massa.
Leve as massas, sem desembrulhar, à geladeira por 1 hora.
Preaqueça o forno a 180 graus.
Forre 2 assadeiras de 35x45cm com papel manteiga e reserve.
Retire as massas da geladeira, descarte as folhas superiores de papel manteiga e, usando um cortador do formato desejado, corte os biscoitos. Espalhe os biscoitos pelas assadeiras preparadas, deixando uma margem de 2cm entre eles.
Leve as assadeiras de volta à geladeira por 10 minutos [assim os biscoitinhos não perdem o formato quando assam], e depois ao forno preaquecido por cerca de 12 minutos ou até as bordas ficarem douradas. Retire do forno e deixe os biscoitos esfriarem completamente.
'Case' os biscoitos, aos pares, usando uma colherada generosa de doce de leite. Depois disso, passe as laterais dos biscoitos na castanha escolhida, para dar o acabamento.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

French Coconut Pie


Olás, tudo bem com vocês?
Tô triste - nesse final de semana foi o segundo Encontro Gourmet [que é o encontro nacional de blogueiros de comida] e pela segunda vez eu não pude ir. Nunca na vida quis morar em São Paulo mas nessas horas dá até vontade, viu? Só para ficar mais perto das pessoas, dos acontecimentos, dos lugares pra comer e comprar ingredientes, enfim. Mas eu vi pelo Facebook e Instragram dos food-bloggers participantes que mais uma vez o evento foi o maior sucesso, então aproveito aqui pra parabenizar a Dani e o Wlad, do Cinebistrot, a Cecília do YesWeCook e a Sandra do Caldeirão da Bruxa Solar, organizadores do encontro. Arrazaram! :)

E como uma tristezinha sempre pede um doce, fui pra cozinha fazer torta! 
A sobremesa de hoje de francesa tem só mesmo o nome [French Coconut Pie é Torta de Coco à Francesa]. Na verdade trata-se de uma torta bem americana, de massa crocante e neutra e recheio a base de ovos, manteiga derretida e açúcar. Aliás, essa mistura é comum, as vezes acrescida de glucose, as vezes de vinagre, a quase todas as tortas de creme assado [você pode ver algumas delas aqui: Pecan PieChess Pie, Buttermilk Lemon Pie, Shoofly Pie, Torta de Abóbora]. Semelhante à maioria dessas tortas, a French Coconut Pie quando assada ganha uma superfície dourada e bastante crocante que contrasta com o interior cremoso, amarelo e doce. Deliciosa!
Epa! Mas cremoso, amarelo, doce e coco na mesma sobremesa não parece vagamente familiar?! Pois é!!! Imagina a minha alegria ao perceber que eu tinha feito praticamente uma torta de Quindim! [eu que sou louco por Quindim!]. 
Fiquei tão empolgado com essa torta que da próxima vou tentar como coco fresco ralado, pra ver se fica ainda melhor!
Espero que gostem, e ótima semana a todos!


French Coconut Pie
[receita retirada daqui]

Para a base:
1 e 1/3 xícaras de farinha de trigo;
1 colher de chá de açúcar;
1/4 da colher de chá de sal;
1/2 xícara [100g] de manteiga gelada picada em cubinhos;
3 colheres de sopa de água gelada.

Para o recheio:
100g de manteiga derretida;
1 e 1/2 xícaras de açúcar;
3 ovos inteiros [uso ovos caipiras pela cor alaranjada deles];
1 xícara de flocos de coco adoçados;
1 colher de chá de vinagre branco;
1 colher de chá de extrato de baunilha.

Prepare a base:
Em uma tigela misture a farinha, o sal e o açúcar. Adicione a manteiga gelada e misture, apertando com as pontas dos dedos, até formar uma farofa úmida. Adicione as colheradas de água, uma por vez, e amasse apenas o suficiente para conseguir uma bola de massa.
Achate essa bola para formar um disco, envolva em filme plástico e leve para gelar por meia hora.
Sobre uma superfície enfarinhada abra a massa com o rolo até conseguir meio centímetro de espessura. Cubra o fundo e laterais de uma fôrma para tortas de 22cm de diâmetro com essa massa, cortando os excessos com uma tesoura e apertando a borda com o garfo ou com as pontas dos dedos para formar um desenho.  Mantenha a fôrma no freezer enquanto prepara o recheio.

Prepare o recheio:
Preaqueça o forno a 180 graus.
Em uma tigela grande bata os ovos com um garfo. Adicione o açúcar, a manteiga derretida fria, o vinagre e a baunilha e misture bem. Por fim incorpore os flocos de coco.
Recheie a fôrma preparada com esse creme e leve ao forno por cerca de uma hora, até que a superfície fique dourada e firme.
Sirva depois de fria.